Durante a I Guerra Mundial (1914 – 1918), balões dirigíveis da Marinha Imperial Alemã efetuaram cerca de 200 incursões de bombardeiro contra a Grã-Bretanha, atacando, principalmente alvos civis. A precariedade dos meios utilizados produziu menos de 2.000 vítimas entre mortos e feridos e parcos prejuízos materiais. De fato, o prejuízo maior foi do lado dos atacantes, cujas frágeis aeronaves aéreas foram destruídas às dezenas pelo tempo inclemente sobre os mares Báltico e do Norte.

O Governo britânico daquela época era formado por competentes administradores, necessários ao controle de um império que rodeava o planeta. As possibilidades abertas pelo bombardeio de áreas urbanas começaram a ser estudadas metodicamente, projetando-se as conseqüências e tentando criar contra-medidas. Nas décadas de 20 e 30 outras ações do tipo chamaram a atenção, como o ataque aéreo japonês contra Shangai e o devastador bombardeio da cidade de Guernica pelo aviação alemã, em 1937, durante a Guerra Civil Espanhola.

A destruição de Guernica confirmou os estudos anteriores e precipitou a tomada de uma série de medidas pelo governo britânico, tendo em vista o iminente início de mais uma guerra na Europa. O Ministério do Interior (Home Office) criou uma organização chamada ARP – Air Raid Precautions ou Precauções contra Ataque Aéreos, que imediatamente iniciou as atividades já planejadas como: remoção de crianças das áreas de Londres e sudeste da Inglaterra, para o interior do país; construção de abrigos subterrâneos públicos e incentivos à construção de abrigos particulares; distribuição de máscaras contra gases e capacetes de aço; treinamento de pessoal para combate a incêndios, prestação de primeiros socorros, salvamento de vítimas sob escombros. Outras instruções eram difundidas em larga escala para população, ensinando a limpar os sótãos de materiais combustíveis; cobrir a janelas para escurecer as ruas; grudar fita adesiva nos vidros para evitar estilhaçamento e conhecer os toques de alarme e de fim do ataque. As organizações de voluntários para atuar em emergências cresceram. Milhares de cidadãos apresentaram-se à Cruz Vermelha, Exército de Salvação, Ambulâncias de St. George. Organizações governamentais foram criadas para finalidades específicas como os Grupos de Salvamento Pesado, o Real Corpo de Observadores e os Guardas Anti-Aéreos.

Em 1940, quando a aviação alemã iniciou a campanha de bombardeio, conhecida como “A Batalha da Inglaterra”, o país estava pronto para se defender. Os observadores, no litoral e no interior suplementavam a incipiente rede de radares, gerando informação sobre a quantidade e a rota dos atacantes, o que permitia ao Centro de Controle da Real Força Aérea prevenir as cidades que poderiam ser atacadas. Enquanto os alarmes soavam e a população corria para os abrigos e apagava as luzes, como medidas de defesa passiva, os artilheiros corriam para as suas peças e a aviação de caça decolava para executar a defesa ativa.

Diante dos bombardeios sobre as principais cidades e centros industriais ingleses, que ocasionou milhares de perdas de vida na população civil, foi então criada a CIVIL DEFENSE (Defesa Civil), sendo o primeiro órgão de Defesa Civil organizado no mundo.